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Mulher Companheira

MULHER COMPANHEIRA

“ …da costela que tinha tirado do homem, Deus modelou uma mulher, e apresentou-a para o homem. Então o homem exclamou: “Esta sim é o osso dos meus ossos e carne de minha carne. Ela será chamada mulher, porque foi tirada do homem!” (Genesis 2, 22-23)

A simbologia da citação da Bíblia revela que a mulher foi originada de um dos lados do homem, indicando, com isso, sua condição de companheira. De braços dados, ambos devem caminhar pela Terra compartilhando de todos os reveses e de todas as alegrias, fazendo da essência mágica do amor a sua bússola.

Antes do nomadismo do ser humano, nos primórdios da civilização, o sistema social vigorante era o do matriarcado, onde a mulher não apenas cumpria seu papel de mãe, mas colhia da semeadura e exercia plenos poderes políticos, chegando a liderar e determinar o que era melhor para o clã sob sua responsabilidade.

Simultaneamente, as incipientes religiões tinham suas deusas às quais eram imploradas ajudas. Entre algumas, poderíamos citar Isis, do Egito Antigo, que além de seus predicados divinos, era considerada a mãe que dava conforto não apenas ao seu filho, mas a todos que a buscavam.

Havia ainda uma sensível e forte conotação da mulher ao seu aspecto maternal, estendendo e respeitando esse aspecto com a da própria Terra, berço e nutridora da Natureza.

Com as mudanças periódicas do grupo social em busca de melhores condições de vida e com o advento das lutas entre as várias tribos, a mulher foi substituída pelo homem, gerando daí o patriarcado.

Se damos um salto um pouco maior na História, entraremos na Idade Média. Encontraremos aí uma certa predominância das mulheres, algumas com capacidade política e fazendo parte do governo; outras, intelectuais, participando de Universidades; algumas, religiosas influentes em conventos; e outras, guerreiras, como foi a jovem Joana D’Arc que, mesmo ferida, lutou em defesa de seus ideiais.

Com o sufrágio feminino, no início do século XX, elas se tornaram mais influentes e mais capazes de terem suas vozes ouvidas em diversos pontos das comunidades.

Com o alvorecer do século XXI, vemos a inclusão da mulher não apenas em vários dos estamentos sociais, como também demonstrando sua força persuasiva nas altas esferas governamentais. Como exemplo, podemos citar a Dama de Ferro, Margareth Thatcher, ex-primeira ministra da Grã-Bretanha;  Angela Merkel , Primeira Ministra da Alemanha; Christina Kirchner, Presidente da Argentina; e Dilma Roussef, Presidente do Brasil com suas várias ministras de Estado.

Estudos recentes indicam que a ascendência do sexo feminino fará com que possivelmente determinados matriarcados venham a predominar novamente, restituindo ao mundo mais tolerância, respeito e fraternidade. A Era de Aquário, já sentida em todos os quadrantes do planeta, seria o campo fértil e propício para essa ascensão. Sabe-se que na China existem já grupos sociais comandados por mulheres, onde se presume que exista certa influência das virtudes femininas assinaladas  acima.

Num patamar menos elevado, não vinculado aos fenômenos de Estado – mas nem por isso menos importante -, assistimos a participação da mulher em várias outras áreas.

Fazemos referência à mulher efetivamente lutadora em seu dia-a-dia  que, intrepidamente, se lança ao mercado de trabalho, dando o melhor de si em benefício de si mesma e daqueles com quem coabita.

É a mulher-economista, a mulher-enfermeira, a mulher-médica, a mulher-redatora, a mulher-vendedora, a mulher-artista, a mulher-escriturária, além de inúmeras outras invisíveis ao olhar público, mas fundamentais em nosso viver.

Neste último segmento, a das supostamente invisíveis, vale aqui a reverência à mulher que limpa, cozinha e cuida dos filhos e espera, ansiosa, ao final da tarde, a chegada do marido também batalhador como ela.

Independente do rótulo, são todas elas guerreiras e companheiras. São elas as precursoras de uma Nova Era na qual dominaram no passado com inteligência e solidez. Elas já possuem em seu inconsciente a maestria, o arquétipo do que foram. Estão, no momento, apenas fazendo florescer, lenta e gradualmente, o perfume da rosa que permanecia latente.

Ao homem perspicaz é oportuno aplaudir esse emergir não apenas nos campos social, político e econômico. Mas aplaudir esse florescer no terreno da espiritualidade também, onde a mulher irá, em consequência, inspirar e rejuvenescer esse mundo tão necessitado de um amor genuíno e eficaz.

(Ensaio dedicado  a todas as mulheres que compõem o meu universo, principalmente à minha esposa Carmen).

J. Marcos C. Oliveira
18 de outubro de 2011
Sunrise, FL (EUA)

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